terça-feira, 29 de junho de 2010

Aula de TAB_ havia coisas melhores p'ra fazer

A campainha tocou para entrada. As nossas mãos estavam entrelaçadas, num toque mágico, magnético que teimava em prosseguir. A Verónica dirigiu-se para a porta e as nossas mãos lentamente separaram-se, como quem separa o tronco da árvore, entrando na porta ao lado onde íamos ter aula.

Terminei a animação da rádio e após o soar do segundo toque, saí apressadamente directo ao ginásio do Liceu. Depois daquele pequeno grande prémio, a ultima coisa que me apetecia era ir ter aula.
dirigi-me ao Ginásio onde os Strawberry's estavam a preparar o palco onde iam dar o concerto de encerramento do ano escolar no dia seguinte e, como grande amigo de quase todos eles, dispus-me a ajudá-los, até porque tinha o carro cheio de tralha deles... amplificadores, cabos, colunas, guitarras...

Apressei-me  a descarregar o carro com o Tomás. Sentia andar com um sorriso estúpido estampado na face e  também com uma energia fora do normal! Principalmente tendo em conta que estava a recuperar de um entorse grave no tornozelo esquerdo que acontecera cerca de uma semana antes no treino de Basquetebol.
Não resisti a pegar na bola que tinha no carro e lançar umas bolas a um dos cestos do ginásio. Precisava mesmo descarregar energias... 

O Intervalo...

Levantei-me num ápice! Para não variar já tinha arrumado os cadernos bem antes de a aula terminar e pouco me prendia ali. Saí e fui directo ao pátio interior do lado par.

Há época, havia uma divisão e uma rivalidade enorme entre os grupos que frequentavam o lado par e o lado ímpar. O lado par era conotado com o lado do betinhos: meninos "de bem", fãs de râguebi e da festa brava, alinhados como pertencentes à burguesia. Do lado ímpar estavam os outros grupos, os freaks, os que jogavam futebol, as tribos de jovens da mesma localidade. Vira não volta, os confrontos eram inevitáveis...  Hoje, tanto quanto sei, e já lá não vou à muito tempo, as divisões são muito menores. Ainda hoje gosto de passar pelo Miradouro de São Bento e olhar a paisagem que se estende sobre os campo e sobre o rio. Embora o jardim tenha sido requalificado e esteja muito diferente. Era um jardim selvagem, maltratado e descuidado pelo Município e por isso era atreito a que se praticassem por ali actos ilícitos!

Embora o meu lado não fosse o par, habitualmente a minha presença era tolerada. Era um dos veteranos da escola, quer queiramos quer não, sempre se consegue ter algum status naquela "mini sociedade" de cerca de 1000 alunos.
Como era hábito, sentei-me na mesa - e não na cadeira - ao lado daquela onde estava um grupo de pessoas da minha turma. O Luis, a Estella, a Filipa e a Sofia, o Miguel Ângelo e a Jota. Por ali fiquei uns minutos... até que decidi subir conforme combinado.

De fininho saí e disse que ia subir para começar a preparar umas coisas para aula. Para aquela bendita disciplina de TAB - Trabalho de Aplicação - esta situação era normal. Naquele dia era eu e a Verónica a fazer a animação da rádio da Escola no intervalo maior. Como habitualmente, a D. Fernanda, funcionária afecta ao Dptº de audiovisuais não estava. Tudo corria conforme planeado. Entrei na sala, fui ligando os aparelhos e esperei. Poucos segundos depois a Verónica bateu à porta e entrou.

Olhou-me com ar afogueado, como se tivesse vindo a correr pelas escadas. Deus dois passos em frente direita a mim, pôs-me as mão nos ombros e empurrou-me contra parede! Fechei os olhos e esperei o que viria a seguir! Senti o calor do seu corpo aproximar-se de mim, senti a sua respiração ainda ofegante, até que ambas a bocas se colaram num beijo trémulo, doce, proibido mas muito desejado.

Aqueles breves segundos foram inesquecíveis.

Seguiram-se breves lágrimas! Ambos sabíamos que aquele beijo seria, muito provavelmente, o primeiro e o último!

Ainda hoje penso que valeu o risco!